O Ciclo da Fruta

O CICLO DA FRUTA Diferença das espécies

O cafeeiro é uma planta arbustiva da família das rubiáceas, que possui um grande número de espécies, das quais duas são as mais cultivadas no mundo: a Coffea arabica, também conhecida como arábica, e a Coffea canephora, que pode ser chamada de robusta

A planta arabica foi encontrada nos planaltos da Etiópia, que fica no Leste da África, junto ao Mar Vermelho e o Oceano Índico, em grandes florestas. Já a planta canephora tem origem em regiões de baixa altitude.

A espécie arábica é uma planta que exige clima mais ameno, sem extremos de frio e calor, apresentando grande diversidade de sabores e aromas que podem ser percebidas na bebida em razão de sua genética. Já a espécie robusta recebe este nome porque é muito mais resistente em relação às doenças e a um menor regime de chuvas, devida à sua genética mais rústica.

Sendo espécies diferentes, seus frutos possuem características muito distintas, que podem ser resumidos pela seguinte tabela:

Variedades da fruta

Cada espécie de cafeeiro possui um grande número de variedades que foram surgindo decorrentes de mutações naturais.

As variedades arábicas podem ser classificadas em três grandes grupos: as Primitivas, as Clássicas e as Modernas.
As Primitivas são as variedades que deram origem à diversidade hoje conhecida, sendo as mais importantes a Typica e Bourbon.
As variedades clássicas surgiram de mutações naturais dessas plantas Primitivas, sendo muito plantadas pelas suas excelentes características. Neste grupo merecem destaque as variedades Mundo Novo e o Catuaí. É importante destacar que em ambos existem as linhagens ou variações que podem gerar frutos vermelhos e amarelos.

As variedades Modernas são resultado de um trabalho iniciado por pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas – IAC, gerando cafeeiros de grande capacidade produtiva aliada a tolerância às doenças. Estão neste grupo as variedades Obatã, Icatu e Catucaí.

No caso da Coffea canephora, as variedades mais importantes são a Robusta, Uganda, Laurentii e o Conillon. Esta última é a variedade cultivada no Brasil.

Da Florada à Colheita

O Ciclo da Fruta do cafeeiro inicia-se um ano antes com a preparação dos ramos para a produção.
O cafeeiro é uma planta que produz frutas somente em ramos novos. Isto significa que o crescimento dos ramos ou galhos produtivos é fundamental para que novas frutas sejam formadas num parte denominada de Internódio, que é o local onde fica um par de folhas.

Assim que a Primavera chega, os botões florais localizados nos internódios são estimulados pela maior luminosidade e pelo início das chuvas, quando abrem e perfumam os campos com o perfume adocicado muito parecido com o do jasmim e da gardênia. Ah, sim, uma curiosidade: o cafeeiro é primo distante da gardênia!

Uma vez que as brancas flores dos cafeeiros são fecundadas, tem-se a formação inicial das frutas, que recebem o nome de Chumbinho, pois tem o formato arredondado.

Com a proximidade do Verão, o Chumbinho passa para a fase Chumbão e, em seguida, a fruta chega ao seu tamanho definitivo no primeiro mês dessa Estação do ano. Combinando-se a maior temperatura a um volume de chuvas mais intenso, esse desenvolvimento é rápido, tanto quanto o crescimento de uma pessoa na fase da Adolescência. Em seguida, começa a fase de Enchimento, quando a semente ganha em volume ao acumular ácidos, óleos e, principalmente, açúcares.

A fruta se torna madura quando atinge a quantidade de açúcares definido geneticamente, ficando ótima para a colheita.

Este ciclo tem duração média que varia de 230 a 260 dias, dependendo da variedade e das condições locais.

Clima e Sabor

O Ciclo da Fruta tem uma duração que varia entre 230 e 260 dias, que depende do local de plantio da lavoura e da variedade empregada.

O cafeeiro é uma planta que precisa fazer o processo de Fotossíntese para formar sua fonte de energia, que é o açúcar resultante, mais precisamente a Glicose. A Fotossíntese é a reação que é realizada pela Clorofila, combinando o gás carbônico do ar com a água que a planta capta no solo, produzindo Glicose e oxigênio.
A Glicose é o combustível natural das plantas e dos seres vivos em geral, sendo utilizada na respiração e possibilitando, dessa forma, a formação da acidez que será percebida na bebida.

O cafeeiro da espécie arábica, que é a mais plantada no Brasil, tem origem nas florestas localizadas nos planaltos da Etiópia, portanto, produzindo sob sombreamento.

Como as lavouras cafeeiras do Brasil se localizam distantes da linha do Equador, o plantio é feito a pleno sol. Em períodos de maior temperatura combinada com pouca chuva, a planta pode entrar em estresse, consumindo parte de sua energia para tentar manter sua temperatura interna controlada. Quanto mais longo esse período de estresse, maior esse tipo de exercício que o cafeeiro irá praticar, alterando, inevitavelmente, o ciclo da fruta, que ficará mais curto.

Ciclo da fruta encurtado significa que a fruta terá menor quantidade de açúcares e de acidez, resultando numa bebida de menor intensidade e qualidade.

Diferenças entre cafeeiros cultivados na sombra e ao sol

Originalmente, o cafeeiro da espécie arabica é planta de local sombreado, apesar de localizado muito próximo à linha do Equador, onde a incidência da luz do Sol é mais intensa.

À medida que a lavoura se localiza mais próxima aos Trópicos, no caso do Brasil, Trópico de Capricórnio, fica viável o plantio a pleno sol.

Como principal característica, a planta que fica sob sombra tem as folhas maiores e com coloração verde escura, resultantes do mecanismo de adaptação.
O sombreamento impede parcialmente a incidência da luz solar, que a planta compensa com a maior área da folha para poder captar quantidade similar a de uma planta a pleno sol. A coloração verde escura é sinal de maior quantidade de clorofila, que tem por objetivo usar de modo mais eficiente a pouca luz que se recebe sob sombra.

Portanto, cafeeiros cultivados em sombreamento tendem a sofrer menos estresse, produzindo frutas adocicadas e com maior acidez cítrica. No entanto, a produtividade é menor do que plantas cultivadas a pleno sol.

O plantio a pleno sol pode ser bastante adequado ao cafeeiro desde que esteja alinhado com a trajetória do Sol, no caso de áreas planas, ou com menor incidência de luz direta no período da tarde, no caso de cultivo em montanha. O resultado sensorial será muito bom, além de se garantir boa produtividade do cafezal.

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